Não há nada melhor que depois de um dia cansativo, seja de trabalho, seja de estudos, tomar uma cerveja. E não importa qual. Pode ser daquela mais comum, como uma Polar - encontrada em qualquer bar aqui do Sul - ou uma Eisenbahn, excelente cerveja produzida em Blumenau.
Claro que ao escrever isso eu só poderia ter saído de um bar da Cidade Baixa, onde encontraria todos os rótulos de cervejas imagináveis, sejam elas as tradicionais alemãs, sejam elas as famosas tchecas, ainda pouco conhecidas no Brasil. Na República Tcheca, aliás, se encontram as mais famosas e antigas receitas de cervejas, cobiçadas por muitos mestres cervejeiros de todo o mundo, e que se mantém como uma tradição.
Para Marco Grahal, 24 anos, ” o importante é estar em um lugar bacana, sozinho ou acompanhado, com uma cerveja bem gelada. A cerveja é praticamente um remédio. Um remédio que me faz esquecer momentaneamente das coisas que estão me incomodando, ou das que eu não quero pensar no momento”. Sem levar a máxima do meu amigo de bar tão a sério, a cerveja serve para brindar aqueles momentos de lazer, mas sempre com responsabilidade e moderação.
E aí, vamos para o bar?
Bruno Guedes, estudante de Ciências Sociais, 21 anos.
Atrelando a comodidade e a oportunidade de receber conteúdo, a pirataria se configura como o mais atrativo dos tipos de entretenimento. Opções das mais variadas séries, filmes e arquivos de músicas podem sem conseguidos horas após o início de sua comercialização. Ou até mesmo antes de qualquer cerimônia oficial de lançamento. A indústria pirata – se é que assim pode ser chamada – é abastecida por todos nós. Mesmo ilegal, criou uma rede de pessoas que comungam os mesmos objetivos.
O caráter industrial pode não ser verdade quando a alimentação se baseia na inocente forma de compartilhamento peer-to-peer, mas é tolo negar que há quem busque lucro às custas do seu filme pirata. Problemas que infligem questões extremamente atuais como propriedade intelectual, direitos reservados, copyrights e alternativas mais altruístas como o Creative Commons batem à nossa porta. Por mais que possamos não enxergar.
Frederico Dora, 28 anos, pesquisador de tendências, utiliza a internet no trabalho e no lazer. Em casa, não utiliza mais a TV, e confessa que não aluga filmes há tempos. Baixa filmes e séries por torrent, por ser mais rápido, fácil e barato. Outra facilidade que atrai Frederico é a utilização das abas, link e aplicativos da internet. “A televisão é muito boring” afirma ele.
Ter acesso a um conteúdo ainda exclusivo em seu país é tentador. Não é mais necessário esperar que algum canal de televisão brasileiro decida veicular a sua série predileta. Alguma “santa alma virtual” disponibilizará esse conteúdo para você. Se o sistema já parece extremamente eficiente, ainda há mais: em ferramentas como o BitTorrent, ao fazer o download do arquivo, você também propaga àqueles que o procuram.
É o caso de Felipe da Silva, 26 anos, programados de sistemas, que utiliza a internet para baixar jogos, séries e filmes. “Baixo [downloads de sites ilegais] porque muitas vezes o que eu quero não tem disponível em lojas no Brasil, e quando tem, o preço é muito mais caro que o aceitável devido a impostos de importação. Por exemplo um jogo que custa 25 dólares nos EUA chega aqui por 199 reais.”
A oferta de conteúdo online é grande e já atingiu locais como o Senado Brasileiro. Foram descobertas pastas que eram acessadas pelo login da rede dos funcionários do órgão público: qualquer funcionário tinha a sua disposição centenas de filmes e músicas, de gama variada de estilos e gêneros. De filmes infantis a CDs de artistas brasileiros de gosto duvidoso.
Cerca de 30 bilhões de reais são perdidos anualmente em impostos no Brasil. Esse número abarca o CD copiado, o software pirateado, mas despreza outros tipos de compartilhamento. As revistas masculinas, que contam com ensaios de nu, são facilmente encontradas na Internet. Empresas que não veiculam suas fotos para acesso gratuito acabam tendo as páginas de suas revistas escaneadas por um leitor. Os piratas não andam mais de perna de pau, mas com o mouse na mão.
O ideário é unânime: há charme na boemia parisiense e no underground londrino. O trash não causa mais tanta ojeriza. Henry Miller e George Orwell não se deteram ao glamour para descrever com veracidade e romance o cenário de seus personagens. É com esse espírito – quase desbravador – que o Men Report foi em busca de lazer na parte marginal da cidade. Marginal apenas na classificação, pois se localiza no Centro.
O cenário cultural se encontra em efervescência. Em vídeo, você encontra uma incursão pela 7ª Bienal do MERCOSUL e o registro das obras de vanguarda. Para acompanhá-lo, um podcast com dicas da equipe Men Report de lazer, alimentação e entretenimento no Centro Histórico de Porto Alegre.
A Bienal do MERCOSUL vem em sua sétima edição com o tema Grito e Escuta. O contraponto não está presente apenas na concepção dos artistas, mas também na recepção dos visitantes. Dividindo opiniões, as diferentes localidades das exposições (Armazéns do Cais do porto, Santander Cultural e MARGS) trazem opções bastante diferentes da arte contemporânea. Para Celso Fernando, 56 anos, a exposição não é novidade. Como obstáculo ele enxerga a falta de ar codicionado no Cais do Porto, bem como a distAncia entre os prédios da Bienal. Visão mais otimista tem José Prates, 46 anos, que trabalha pela primeira vez na mostra de arte contemporânea. O vendedor ressalta que os dias em que o fluxo é maior são sábado e domingo.
Os telecentros, ou infocentros, foram implantados pelo governo como alicerce da inclusão digital. Aqui em Porto Alegre, são cerca de 30 centros regularizados, com acesso grátis à internet e disposição de impressoras e scanners. O usuário precisa se cadastrar antes de utilizar as máquinas, ato simples, que é feito apenas com a apresentação da carteira de identidade.
A tarefa de reunir informações e entrevistas sobre os telecentros se apresentou mais complicada do que parecia. O grupo procurou três deles, todos na capital, mas apenas o terceiro, situado no Mercado Público, cumpria a real função de um telecentro - os dois primeiros, um na Usina do Gasômetro e outro na Rua Demétrio Ribeiro, apenas ministravam cursos de informática em certos dias da semana. O telecentro Mercado Público tem as funções completas de um telecentro, onde além de cursos, disponibiliza computadores para o público que não os possui ou precisa acessar a internet rapidamente, em horários de folga do trabalho. Devido à sua localização, ele é o telecentro mais freqüentado da cidade. Pelo mesmo motivo, é muito difícil traçar um perfil dos usuários do telecentro. «A gente tá no Mercado Público, né? Passa de tudo por aqui» diz Victor Marcello, 26 anos, monitor do telecentro.
Por ser financiado por uma parceria entre o Governo Federal e Estadual com o Sindilojas, o acesso ao orkut, msn e pornografia é bloqueado e proibido, já que o intuito desse tipo de instituição seria o uso restrito à canais de notícias e fonte de estudos ou ajuda no trabalho. Ali, os serviços mais utilizados são a conferência de emails e envio de currículos, principalmente na opção de renovação por mais meia hora. Após o fim deste tempo, o usuário tem de voltar ao final da fila e aguardar novamente os 20 minutos de média de espera.
Maria de Lurdes Sturm, 49 anos, utiliza o telecentro para trabalho. Ela é vendedora e não possui computador em casa, mas o uso da tecnologia facilita o seu trabalho. A usuária não aprendeu a utilizar o computador no telecentro mercado público, já que antes frequentava o da Assembléia Legislativa. Hoje, quando não tem tempo de esperar por um computador gratuito, ela frequenta Lan Houses - o trabalho não pode esperar. Maria de Lurdes já está completamente inserida na era digital.
O horário de funcionamento do local é das 8h às 20h, de segunda à sexta e possui monitoramento o tempo todo. Os monitores, além de fiscalizar e organizar o uso dos computadores, poderão lhe auxiliar.
Ernest Hemingway foi autor e personagem principal de histórias que envolviam a boemia em toda a sua potência: de amores a bebidas, o reconhecido autor prova o valor de um bom gole na hora certa. Sentava-se no La Bodeguita del Medio para apreciar o favorito de seus drinks, o mojito.
Preferências à parte, cada um tem espaço e liberdade para eleger a receita que lhe agrada mais. Ou até mesmo se aventurar e protagonizar a criação de uma própria receita. Para aqueles que não envolvem seus drinks com a alquimia, restam os bons e velhos clássicos.
O empresário Adalberto de Oliveira, assim como tantos, também tem seu eleito. “Da adolescência, sobrou o gosto por Cuba Libre”, recorda. Entretanto, há quem prefira a facilidade de uma garrafa de rótulo conhecido e envelhecido. O mercado de lojas especializadas em rótulos de vinho tem crescido na região metropolitana. Por outro lado, há quem considere o atual consumidor de vinhos um enochato. É esse fenômeno que acontece mundialmente, estudado especificamente por Giuliano da Empoli na sociedade brasileira, que ele chama de “carnavalização”. Comer e beber bem fazem parte da alegoria social.
Na contramão dos apreciadores de vinho, com uma descontração peculiar, chegam os degustadores de cerveja. Para Adalberto, colocar a cerveja em um patamar elitista tiraria a graça de apreciá-la. Os pólos são opostos: de um lado, a cerveja mais tradicional, tomada em copo de boteco, de outro, nomes como Rauchbier, Stauts e Gueuze podem ser corriqueiros.
Empresas como a Sagatiba, marca de cachaça brasileira, apostam no mercado internacional e na volta do costume de fazer o drink. Com diversidade de receitas e uma gama variada de tipos de bebida e apresentação, o drink se torna uma alternativa sedutora.
Na noite, drinks simples com ingredientes conhecidos, como o Combo ― mistura de energético e vodka ou whisky ― são a opção mais requisitada entre o público mais jovem, afirma o barman Fernando “Noob” . Em eventos sociais, o dono de restaurante Jorge Guidotti assinala um padrão contrário, as doses tal qual saíram da garrafa, acompanhadas de gelo, são mais pedidas. Sua preferência pessoal não é diferente.
Se a alquimia for caseira, é fácil ter seu próprio bar. Ele deve ser composto de alguns poucos utensílios para o preparo, abundância de pedras de gelo e uma pequena coleção de bebidas variadas. Para a sua incursão no mundo das bebidas, comece pelos clássicos. Seja o mojito de Hemingway, seja a cuba libre dos anos sessenta, a equipe Men Report preparou um tutorial e um pequeno apanhado de receitas que você definitivamente deveria saber fazer.
Com imagens refinadas, o homem contemporâneo se excita vendo arte
Para ler ouvindo: Make it Wit Chu - Queens of the Stone Age
A indústria pornográfica mundial passa por transformações. Retomando antigos referenciais de beleza e erotismo, o homem contemporâneo também leva em conta aspectos refinados quando o assunto é o seu fetiche. “Brasileirinhas” já era, a sua inspiração agora são as meninas do calendário Pirelli. Desde sua primeira playmate Margie Harrison, na edição de janeiro de 1954, a Playboy dita a nudez das mulheres mais desejadas do planeta. O sistema agora se inverte. Iniciativa que provém das revistas femininas, os editoriais de moda com forte apelo sexual estão em alta. O Calendário Pirelli, existente desde 1967, reafirma o sucesso e aceitação deste tipo de arte. David Lachapelle, Hedi Slimane, Tom Ford e Terry Richardson são exemplo de fotógrafos com senso artístico e erótico apurados, fazendo sucesso não só com quem está interessado nas roupas, mas também nas modelos. Por sua vez, o lucro das editoras comprova que o mercado está em expansão. Publicações como Details, GQ e l”Uomo Vogue – voltadas para o público heterossexual masculino – são sucesso de venda e respeitadas pela qualidade artística dos seus editoriais. Porém, a beleza não está somente em editoriais: na publicidade, o apelo sexual – antiga isca para consumidores – continua em alta, cada vez mais explícito. A campanha da Diesel “XXX” , sobre os 30 anos da marca, brinca com a iconografia dos filmes pornográficos mais toscos. Sem ser explícita, a campanha atraiu visualizações e comentários pelo mundo inteiro. Nas bancas de revista, a dinâmica é contrária: as revistas com mais venda, são as mais tradicionais, como a Playboy. Segundo o vendedor de revistas Hilton Martins, 29 anos, a venda de revistas masculinas com nudez é a mais recorrente. Hilton trabalha no estabelecimento há dez anos e afirma que “não há segmento que consiga concorrer com essa revista, quando o público é mais popular”. No mercado editorial, aqueles que querem ter consigo as imagens soft-porn, recorrem à editora alemã Taschen, com mais de 40 livros publicados só na sua seção “Sexy books”. Com alguns livros não tão soft, a editora é reconhecida pela qualidade na diagramação e no trato de suas imagens. O que antes era visto sob o ângulo ginecológico, agora é apresentado de forma mais sutil. O homem voltou a ser voyeur.
Men Report é um blog criado por estudantes de Comunicação Social - Jornalismo da PUCRS, para a disciplina de Jornalismo Digital. Francisco Piovesan, Gabriela Traple, Laryssa Araújo, Marília Pozzobom e Ulisses Carrilho compõem a equipe que vai trazer ao homem adulto assuntos de seu interesse. Cultura, gastronomia, estilo e comportamento focados no perfil do homem contemporâneo. Apresentaremos um conteúdo jornalístico sério e refinado, assim como você, leitor do Men Report.
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